CRÓNICA - Obrigado, Mário Soares!
- 24 de jan. de 2017
- 3 min de leitura

Camaradas, confesso que escrever esta edição da habitual crónica da JS Lisboa Ocidental é difícil, infelizmente neste mês de Janeiro perdemos o nosso militante número 1, a nossa maior referência, por ventura o maior de todos nós, e como tal deixo aqui a minha singela homenagem em nome dos jovens da zona ocidental.
Invocar Mário Soares é escrever sobre o lutador anti fascista que esteve preso 12 vezes, sobre o Militante do MUD e cofundador do MUD Juvenil, sobre o membro da Comissão Central da candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República e do membro da comissão da candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República. Escrever sobre Mário Soares é escrever sobre o pai da democracia, título que sempre rejeitou, que estabilizou a democracia primeiro sendo uma peça fulcral no impedimento de um golpe militar e mais tarde na entrada de Portugal na CEE. É escrever sobre o deputado o eurodeputado, sobre o vice-presidente da internacional socialista, sobre o Primeiro-ministro. É escrever sobre alguém que impediu que o sistema político se transformasse perigosamente num Presidencialismo, estabilizando num semi-presidencialismo e numa forma de exercer o cargo ainda hoje seguida. Escrever sobre Mário Soares é escrever sobre alguém que com 82 anos candidatou-se a Presidente da República sobre as circunstâncias que se candidatou e com tudo o que isso implicava.
Escrever sobre Soares é escrever assim sobre quem que desde jovem com a criação do Mud Jovem, até o final da vida com a candidatura a presidente da República e a organização na aula magna de um fórum que reuniu as esquerdas pela defesa da Constituição, lutou sempre pela democracia, pela liberdade, pelos valores republicanos pelo seu aprofundamento e defesa intransigente quando tais valores estiveram sobre ataque ou em risco. É escrever sobre o lutador que sempre se assumiu como político, e nunca virou as costas a uma batalha, mesmo que isso lhe tivesse custado o exílio longe dos seus, e ter-lhe custado ter estado preso 12 vezes pela PIDE. É escrever sobre a dimensão humana, onde é possível observar muitas de António Sérgio, de que a política faz-se pelas pessoas, para as pessoas e junto das pessoas. É escrever sobre a ética Republicana de como estar em Política, de como estar em sociedade, de que nunca devemos recusar dar o nosso contributo pela liberdade tenhamos nós 15 anos, 40 ou 80 anos. É escrever sobre o sentido de missão da construção de uma sociedade melhor com justiça social, democrática e livre.
Por tudo isto, obrigado Mário Soares, os jovens da zona ocidental de Lisboa nunca te esquecerão, nunca esquecerão os teus ensinamentos, não esqueceremos o homem e a sua vida. Deixo aqui o meu repto, não o mitifiquemos, honremos sim Soares continuando o seu legado através de participação política e cívica diária nas ruas, nas escolas, nas universidades, nos locais de trabalho, sempre em defesa da liberdade da democracia, sempre na defesa daquilo que acreditamos, por mais que as condições nos sejam desfavoráveis ou tenhamos algo a perder e sobretudo sem oportunismos nem outras intenções que não seja o bem da comunidade. No XIX Congresso da Juventude Socialista em que Mário Soares foi homenageado e distinguido como militante honorário, numa excelente atitude do ex-Secretário-Geral João Torres pois as homenagens fazem-se em vida e deixo aqui o meu elogio a um dos melhores secretários gerais que a JS já teve, Soares olhou para nós emocionado e com o espírito de missão cumprida ao ver centenas de jovens de punho esquerdo erguendo gritando “Soares é Fixe”, gritando pelo socialismo, pela democracia e cantando a internacional socialista. Por isso, honremos Soares fazendo política, participando ativamente na sociedade sempre pela República, sempre pelo Socialismo, sempre por uma sociedade Laica, Justa e Fraterna, sobretudo sempre pela Liberdade e sempre pelas nossas convicções, pois Só perde quem desiste de lutar.Obrigado Mário Soares!











Comentários