Dia (s) da mulher
- 7 de mar. de 2017
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Todos os anos no dia 8 de Março é celebrado o dia Internacional da Mulher. Por mais clichê que seja neste dia vimos “corridas” e assaltos às floristas, joelheiras, lojas de roupa para presentear a mãe, avó , a irmã, a sobrinha , a namorada , a esposa neste dia dito especial; idas aos restaurantes, um passeio, ou um simples cartão postal com umas bonitas palavras são entregues e realizados neste dia; fotos no facebook, textos (como este agora que aqui faço, literalmente testamentos) as típicas homenagens são colocadas nas redes sociais a fim de sinalizar mais uma efeméride. Neste âmbito , todos ficam descansados em suas consciências ao pensarem que são muito evoluídos (as), progressistas e obtêm a tão desejada convicção de dever cumprido. Este dia , aliás, como todos os dias que celebram conquistas significam tão somente que apesar das mesmas a luta continua, que muitos dos objectivos pretendidos ainda não foram alcançados porque se não esses dias não fariam mais sentido. Numa breve retrospectiva poderemos relembrar que a primeira Guerra Mundial , proporcionou a intervenção da mulher em todos os sectores da actividade económica e social ajudando à emancipação feminina e que teve reflexos no traje e na moda das mesmas. A entrada da mulher no mundo do trabalho modificou mentalidades e comportamentos sexuais que levaram ao controle da natalidade…
No ínicio do seculo XX a condição da mulher portuguesa era igualmente de profundo atraso “ 77,4% das mulheres maiores de 7 anos não sabiam ler nem escrever em 1911. Imersas em ignorância as mulheres representavam presa fácil para padres fanáticos, bruxas, videntes, charlatães e demagogos…” um veículo de resistência ao progresso. A Liga Republicana das mulheres Portuguesas desempenhou um papel importante na luta pela emancipação da mulher em Portugal, dirigidas por mulheres como Ana de Castro Ósorio, Adelaide Cabette, Maria Veleda e outras ( nomes que não devemos esquecer). Tinham como objectivo lutar por nova legislação como: igualdade entre os direitos do marido e da mulher; autonomia económica para a esposa… de salientar, devido à ambiguidade da lei eleitoral de 1911, a médica Carolina Beatriz Ângelo ter conseguido ingressar nos cadernos eleitorais e ser a primeira mulher portuguesa a votar nas eleições de 1911. Muito mais poderia ser dito pois esta luta, seus movimentos e suas protagonistas foram inúmeros, todavia gostaríamos de agora reflectir sobre o papel da mulher na sociedade ocidental actual. É indubitável que a mulher hoje atingiu um status de relativa liberdade comparativamente às mulheres de outrora como nos é descrito nas notáveis obras de por exemplo Jane Austen, Virginia Wolf… em que mulher era objectificada. Igualdade de género. Liberdade. Progresso. Hoje Março de 2017 do século XIX, será que tais palavras se fazem cumprir no nosso dia a dia? Será que a mulher efectivamente goza de inteira liberdade? Será que já atingimos a tão desejada igualdade de tratamento ou igualdade salarial? Seremos apenas adjutoras/ cheerleaders dos nossos parceiros ou também temos o nosso papel especifico neste mundo enquanto cabeça? Ainda estamos convictas que somos nós que temos de “organizar” a casa? E cozinhar? E tratar dos filhos? Será que não podemos gostar (perceber) tanto de futebol (por exemplo) como o mais acérrimo adepto masculino? Será que mulher já percorreu todo o caminho e nada há mais para alcançar?
Ninguém disse que somos humanamente iguais, homem / mulher por alguma razão ambos se completam da forma mais perfeita e natural que existe. Contudo, existem muitas mais coisas por conquistar, muitas lutas para vencer, muitos estigmas e estereótipos para neutralizar lidar e vamos fazê- lo de cabeça erguida. A mulher é uma criatura forte, destemida, corajosa, independente, sensível que tem conseguido, consegue e conseguirá alcançar os objectivos a que nos propomos, por isso não nos deixemos intimidar nem limitar, por maior que seja a opressão, a discriminação, a violência que a sociedade nos quer impor.
“Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.”
Rosa Luxemburgo











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