A toponímia da Liberdade conquistada
- 26 de abr. de 2017
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Muito se usa a expressão, na sua maioria em tom jocoso, de que “foi para isto que se fez o 25 de Abril” – seja a situação retrato natural dos direitos e deveres que resultaram da conquista da liberdade ou de outro modo repudiante se mostre ser.
Fez-se a revolução de Abril precisamente para tudo isso: para que o bom seja replicado e o mau se revele sem amordaças.
Não se fez o 25 de Abril a pensar no concreto, mas sim na bandeira geral que se pretendia hastear: a da liberdade.
Mas o que é isso da liberdade e como fazer uso dela?
Há quem viva sem liberdade apesar de nascer enquanto homem ou mulher livre. Será a liberdade algo que se possa deliberadamente tirar a outro/a? Podemos ser nós incautos tiranos que vivem em liberdade de estar, mas não de ser?
Estas questões assolam-me, principalmente quando no meu trabalho me confronto com realidades cruas de rua, onde para mim o conceito de liberdade perde contornos e se esborrata com a perca de noção dos dias. Falo das pessoas em situação de sem-abrigo.
Deteto o pré-conceito de que a rua possa ser sinónimo de liberdade – livre de contas, obrigações quotidianas, responsabilidades maiores; mas do meu espetro a rua não dá liberdade, pode inebriar de sensações quem novo/a a ela se faz, mas com o passar do tempo a liberdade da rua torna-se tão tirana como se de um ditador se tratasse.
Livres somos pouco, mas muitas vezes pela castração auto impune. A liberdade tem balizas que a consciência desconhece e neste campo a sociedade tem regras para que a manutenção da liberdade permaneça acima do individual.
Deixo a questão para reflexão de quem me acompanha nesta crónica: é a liberdade para ti uma bênção ou castigo? De quanta liberdade te serves para te fazer ouvir e libertar os que te rodeiam?











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